O QUE É A HABITAÇÃO BRUTA?

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP


O objetivo foi trabalhar interferindo nas dinâmicas próprias do Centro Cultural São Paulo e construir dramaturgia a partir da observação das reações desencadeadas. Assim, interferir criticamente no modo de produção de subjetividades da megalópole.


O Coletivo Bruto habitou o Centro Cultural São Paulo nos meses de setembro, outubro e novembro de 2010. Essa Habitação Bruta partiu da sala Ademar Guerra (esconderijo, aparelho, célula, sala de estar, residência) para os outros espaços do Centro Cultural (biblioteca, passagens, áreas de convivência, áreas técnicas, discoteca, área expositiva, etc.) a fim de criar um fluxo/diálogo poético. 



Durante este período, ocorreram ações de observação das dinâmicas do espaço, com seus freqüentadores, acervos e funcionários. Foram criados programas performativos de intervenção, que reagiram estas dinâmicas e criaram uma dramaturgia, refletindo a relação porão/CCSP – CCSP/cidade de São Paulo. O Centro Cultural São Paulo pode ser entendido como metáfora da cidade?
Partimos de um pressuposto dramatúrgico que se alia a nossa pesquisa atual: a suspensão como ação contestatória e uma discussão sobre o egoísmo. Assim, o “egoísta” sai, relacionando-se com o CCSP/cidade, em busca de material que providencie sua sobrevivência, e retorna para seu esconderijo/porão para uma nova suspensão crítica.
As ferramentas teóricas usadas para as ações de observação crítica e criação foram a idéia de deriva, a idéia de rede (quentes e frias) e os princípios da intervenção/instalação/performance.
As linguagens artísticas utilizadas nesta criação foram resultantes das necessidades formais do material, podendo aliar dança, vídeo, teatro e artes visuais.




Hipóteses

- O Centro Cultural São Paulo é uma metáfora da cidade;
- O egoísmo é necessário a sobrevivência;
- A suspensão pode ser uma ação crítica as situações de bloqueio dos fluxos espaço/temporais, do regime violento e invisível da velocidade tecnológica e do controle.

Trabalhamos com três categorias espaço-temporais:


            Boqueio:
Percebido na cidade como: Trânsito, aglomerações, enchentes, quedas de sinais, blackouts, catracas, portas eletrônicas, portarias.
Percebido na zona de deriva como: Desvios, catracas, portarias, funcionários, áreas técnicas restritas, modulação dos espaços expositivos, horários.


Controle virtual e campo de visão:
Percebido na cidade como:  Câmeras de segurança, facebook, twiter, sites de relacionamentos, guaritas, walktalks, arquitetura vertical, subterrâneos, luz artificial, todos os monitores, Google earth, Skype, GPS.
Percebido na zona de deriva como: Paredes de vidro, ritmos de cobertura (espaço aberto e fechado), janelas, vãos, modos de consulta do acervo, todos os monitores.


Dromocracia - dromocracia nomeia o regime invisível da velocidade tecnológica como epicentro descentrado de estruturação da vida humana (conceito usado por 
Paul Virilio): Percebido na cidade como: Ritmo de trabalho, deslocamentos, informação generalizada e descartável, demandas sistemáticas do outro, conexões on time, fluxo de capitais.
Percebido na zona de deriva como: Informações generalizadas, rede elétricas, espaços de parada, sono, espaço horizontal, rampas.


Quantitativo 
82 dias;
11 semanas e meia;
04 Observações ativas;
05 Observações passivas;
03 Programas coletivos;
05 apresentações de GUERRA CEGA SIMPLEX;
02 Ensaios Nômades ( dias 03 e 12 de novembro);
08 proponências artísticas individuais (mínimo), todas apreciadas pelo fórum crítico do Coletivo Bruto;
01 coquetel/programa de abertura (dia 18 de setembro, das 19h30 as 21h30);
04 proponências “EI!” ( Encontros de Improvisação);
02 amostragens finais dos materiais criados dentro da Habitação Bruta;
01 espetáculo/experimento.

Ficha técnica
Provocadores Cássio Santiago e Elisa Band | Atuadores Luiz Henrique Lopes, Maria Tendlau, Mariana Sucupira, Paulo Barcellos e Wilson Julião | Produção Executiva de Palipallan Arte e Cultura  | Coordenação de produção de Wilson Julião | Coordenação técnica de Paulo Barcellos | Parcerias de Le Commedien Tropicales, Key e Zetta Cia. e Weeinz.






FRAGILIDADE


Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP

Alguém, vestido com camisola hospitalar, entra no CCSP pela entrada principal e percorre o Centro empurrando seu carrinho de soro, com o tubo supostamente espetado no braço, e uma mochila nas costas. Depois de percorrê-lo, dirige-se à biblioteca, acomoda-se, retira um notebook da mochila e trabalha durante cerca de 10 minutos. Depois, guarda o notebook, sai da biblioteca e dirige-se para a saída. Repete o procedimento durante toda a tarde, com intervalos de uma hora. Durante o procedimento, simplesmente não interage, comporta-se como se fosse invisível. O procedimento é observado e registrado por membros do Coletivo.



Por que: dar visibilidade clara ao sentimento de “auto-suficiência possível”, que se mostra claramente quando se está numa condição de fragilidade, precariedade e dependência característica de uma situação fisicamente patológica, mas que impregna nossa vida cotidiana mesmo em situação de “normalidade”. 

ÓPERA OU VAMOS VER COMO ANDA NOSSA VELHA CONHECIDA GUERRA

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP 

Usuários do centro cultural são convidados a assistir uma ópera ás 18h30 de alguns dias úteis.
  
Procedimento 1: Gravar o repertório mais ouvido da discoteca do Centro.  
Procedimento 2: iPods com fones para 4 participantes de cada vez.  
Procedimento 3: 4 binóculos  
Procedimento 4: Levar os usuários até a área externa do piso expositivo  e colocá-los em cadeiras defronte à Av 23 de Maio.  
Procedimento 5: todos ligam os iPods e pegam os binóculos e assistem  o congestionamento da 23 de maio ao som de músicas de La Nave Va.




Porque: Contrapor a matéria poética com o cotidiano caótico e ressignificar o ato de assistir. Assistir como ato de voyerismo, borrar os limites do que é público e do que é privado. Várias outras camadas.  

Material: Recurso de gravação do acervo, 4 ipods, 4 binóculos, 4 cadeiras, 4 fones de ouvido para os ipods.  
Pesquisa: Período de 1 semana 
Récitas: Sempre as 18h30 em uma segunda, uma quarta e uma sexta. Dias 18, 20 e 22 de outubro  

APENAS CANSADA DESTA MERDA – WW

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP

Egoísta é: Auto explicativo  Quem: Eu  O que:  Enunciado: Uma mulher vestida com uma fantasia de mulher maravilha (daquelas bem mequetrefe de loja de artigos para festa), coloca uma cadeirinha num lugar de passagem e se senta. Traz consigo um pequeno amplificador e um microfone. Ela se senta, baixa a cabeça, se prostra, uma mão apoiada no colo com a palma para cima, a outra segurando o microfone, um texto escrito em letras pequenas sobre o colo. Ela não olha para ninguém. Ela começa a ler o texto “Diferenças entre um egoísta e um egocêntrico” no microfone, mas bem baixinho e lento. Ela repete o texto três vezes. Se levanta e vai embora. 


Porque: Estranhar a relação entre os atos heróicos e os atos egoístas. Revelar a falência do comum. Estranhar o fetiche do super-herói. 

Material: Nossa cadeirinha 1 microfone 1 amplificador portátil 1 fantasia de mulher maravilha  Quando e onde: 5 vezes, em horários diferentes; na passagem onde ficava anteriormente a bilheteria, perto do vidro da sala Adoniran Barbosa; perto da gibiteca; no espaço entre armários do guarda volumes; no terraço atrás do espaço expositivo; na entrada com ligação para o metrô. 
Registro: Filmagem das pessoas observando, bem discreta e de longe.  

ONDE. JÁ. CIVIL

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas

05 amigos trabalhadores de construção civil ( da COOPROFIS, cooperativa de trabalho dos profissionais operacionais do setor de construçõa civil) sentados numa mesa, servida de café e comidinhas, ensinam apenas com enunciados os membros do Coletivo Bruto a construírem um muro de 2mtsx2mts nas dependências do CCSP, em cima de um plástico preto delimitador. Os trabalhadores de construção civil são “microfonados” e suas vozes amplificadas no espaço. Terminada construção do muro pelos integrantes do Coletivo Bruto, trocam-se os lugares, os trabalhadores erguem outro muro, paralelo e distante 2mts. do primeiro. O Coletivo Bruto assiste, em silêncio. Ao final, todos derrubam ambos os muros. O programa tem a duração da construção e das quedas dos 02 muros.

Wilson Julião, Paulo Barcellos, Maria Tendlau, Mariana Sucupira e Elisa Band

Pra que? - Para explicitar a distância entre o fazer e o falar;
Para ficcionar através da ingerência de materiais/usuários alheios ao CCSP;
Para construir a imagem de dois bloqueios com acabamentos díspares, mas que se igualam ao cumprir as mesmas funções;
Para povoar o ambiente com pontos de vista diferentes e humor característico de um grupo de amigos e para contrapor essa forma relacional com a do Coletivo Bruto;
Para contrapor os equipamentos rústicos aos tecnológicos que habitam o CCSP;
Para registrar o ocorrido e exibir em vídeo ao lado da obra, durante o período de permanência da instalação.




Na mesa, os cooperados Julio, Sr. José, Nelson, Sr. Dalci e Esmael.

Material necessário

Para a performance:
160 blocos de cimento;
04 sacos de cimento;
1 metro de areia;
04 sacos de cal
8 mts. de plástico preto ( para forração do chão)
1 mesa;
cadeiras;
03 microfones;
sonorização para os microfones;
café, bolachas, petiscos;
1 câmera de vídeo;
1 tripé;
                                                                             


Para a exposição
1 tv ou monitor;
1 dvd player.


A instalação, acompanhada de vídeo do processo, ficará em exposição até o dia 21 de novembro, no piso Caio Graco, Centro Cultural São Paulo.

C.C.,S.P. (Centro Cultural, Seu Próprio) - Chocadeira

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas



Uma estrutura de papelão de 1m x 1m x 2m. Essa estrutura de papelão estará envolto e preso a um andaime para lhe dar sustentação e rodas para locomoção, se o atuador desejar. Pequenos furos na caixa para o passante observar o freqüentador do C.C.,S.P. Dentro do Seu Próprio Centro Cultural, o atuador poderá levar qualquer material (livro, guitarra, computador, lanche) para passar o tempo mínimo de 1 hora. Haverá ganchos para o atuador pendurar suas coisinhas. Não é permitido conversar com o exterior.


Para que? - Experienciar o preenchimento do tempo de dentro do C.C,S.P. Para não acreditar que sua vida seja enfadonha. Possibilitar um espelhamento do passante, que está no CCSP, na tentativa que ele próprio se perceba nesse espaço maior. 




Atuadores: Paulo Barcellos com sua guitarra, Maria Tendlau e seus desenhos, Wilson Julião com bexigas, Carlos Canhameiro com sua dança, Tetembua Dandara com seus patins escorregadios e Mariana Sucupira com seus pés dançantes.

Egoísmo e convívio, percepção e fronteiras.

O CCSP  é como um barco. O barco está a deriva na cidade ou a cidade deriva em seu convés?
Assim como “La nave” de Fellini o CCSP é um pequeno cosmos da cidade. Não digo “micro” por que lá, nada é micro. Lá o espaço se engrandece. Um espaço que se abre para deriva da vista, pela  23 de  maio, pelos prédios da Vergueiro, pelo vão - antes rio, antes navegável, antes fluído de águas e não de velocidades. O Barco na antes margem, encalhado e voador a um só tempo. Seus declives ferro-vitreos, seus muros de tijolos inclinados. Rampa linha, jardim linha, metrô linha. 

O vidro, a transparência e as Passagens nas palavras de Benjamin, estão lá. De modo diferente com certeza . Mas lá: “A decoração dos interiores defende- se contra a armadura de vidro e ferro com seus tecidos”. Um amigo arquiteto queixou-se dos bancos no CCSP : interfere abusivamente na arquitetura. Mas os corpos querem descansar.

As repartições, os repartimentos, as partilhas e partidas se alojam no convés longo. Espaço aberto e repartido, igualmente.

A cada mesa ocupada vêem-se as distâncias e as proximidades. O hálito do convívio perpassa um inegável sentimento de solidão. Porque? A partida de xadrez que separa no tempo seus jogadores: lance- contralance. A namorada que se pendura em um adolescente preocupado com a prova de Física. O albergado que estuda algo sobre a transcendência. Os street dancers tão ocupados com suas próprias habilidades.

Na biblioteca, aqui e ali, alguém que se perdeu, alguém que foi perdido. Uma moça solfeja com os olhos debruçados numa partitura – está só. Um grupinho prepara um espetáculo chamado: Cabaré em Chamas. Vêm-se refletidos nos vidros do prédio e se perdem em suas próprias dificuldades-adolescência.

Mas depois das 20h não. Ai, num canto escuro, os casais entrelaçam as pernas antes de embarcar nos últimos trens do metrô.

Porque os lugares de convívio nos lembram do não convívio, da dificuldade?

Talvez o nosso mais inconcebível desejo diante desta cidade/precariedade, seja estar só. Só e em silêncio, em paz, refugio. Só, sentado em um banco, olhando a frente, desolhando, derivando. Apenas isto. O espaço público como lugar do convívio consigo.

Talvez não seja a dificuldade do viver junto que se imponha neste espaço aberto e recortado, mas sim a dificuldade de estar consigo. Reversão da lógica. Já dizia Hanna Arendt: a esfera social tomou conta da esfera pública e da privada. Não vivemos o campo público, o campo do discurso, do nascer para o mundo , assim como não vivemos o lugar privado, o espaço da incubação, do escuro, do nascimento e da garantia biológicos.

Paradoxo: o Eu se define pelo Outro, mas um mundo sem Eus é um mundo sem Outros.

Então o egoísmo. O egoísmo como desafio da auto-poiésis, da criação de si mesmo diante da desertificação dos aglomerados, congestionamentos, ruídos, informações. Não apenas o egoísmo visto pelo ângulo da moralidade humanista, e também, não considerado como nova ética. Mas como, talvez, a pobreza de experiência que nos fala Benjamim. Como tabula rasa. Como percurso necessário na problematização do encontro com o outro. 

O espaço público, de hoje em diante tornado lugar para estar apenas e germinar.  Uma vez que a residência se dissolveu na hiper atividade da convivência, da demanda do outro, e o espaço público não contêm o encontro, ainda.

Não se trata de tornar privado o que é público. Se trata de acolher a possibilidade de diferentes subjetividades como conformação dos elementos que se encontrarão na ágora pública, depois.
Lembrar que é possível se des-espertacularizar,  não se expor, parar e não mais avançar vertiginosomente. Contrapor o movimento da suspensão à êxtase da velocidade. Revelar o que não pode ser revelado de tão exposto.

Falemos da deriva, pois. Como se conforma a pscicogeografia deste barco? Quais os limites da embarcação que devem ser expandidos, ultrapassados? 
 É preciso encontrar um ponto de equilíbrio e escuta para vislumbrar um caminho. É preciso demorar-se, morar em si. E daí sim, trilhar o caminho regido pela percepção dos derivadores. Avançar as fronteiras.

Por hora, o demorar-se nos mostra a necessidade do demorar-se. E este revê-la a fronteira inaugural. A necessidade do limite pele, do limite moldura, do limite margem. A travessia vem da margem. O rio é rio, porque margem. O egocêntrico afirma-se margem. Ele precisa disso. Lastro.

Nossos remos-ferramentas são procedimentos que estranhem o continuum público-privado-social, estranhem o continuum eu-outro-muitos.  Propomos o escondido como possibilidade: ainda há algo a decifrar. Propomos o encoberto. Propomos o primeiro exercício de nomeação: O que é isto que não é aquilo nem aquilo outro? Nomeemos as margens em novos contornos.
Assim o exercício do limite também  se revela  o exercício da linguagem.

Como diz Agamben: A expropriação do comum numa sociedade do espetáculo é a expropriação da linguagem. Quando a linguagem é seqüestrada por um regime democrático-espetacular, e a linguagem se autonomiza numa esfera separada, de tal modo que ela já não revela nada e ninguém se enraíza nela, quando a comunicatividade, aquilo que garantia o comum, fica exposto ao máximo e entrava a própria comunicação, atingimos um ponto extremo do niilismo.

Paradoxo novamente: as fronteiras se estabelecem pala ausência de fronteiras. Sem contorno, o mundo é uma prisão.

Debord  disse na Internatonale Situationniste,  “as diferentes unidades de atmosfera e de habitação, hoje, não se sobressaem exatamente, mas estão cercadas de margens fronteiriças mais ou menos extensas. A mudança, a mais geral, que a deriva conduz a propor, é a diminuição constante dessas margens de fronteiras, até a sua supressão completa.” Mas talvez devessemos olhar para extensão desta fronteira que hoje se interioriza e nos atravessa.

Gille Ivain, em 1964, escreveu em Cartas de Longe, após ter passado 5 anos numa clínica psiquiátrica : « ... a deriva contínua é um perigo na medida em que o indivíduo avança muito longe (não sem base, mas...) sem proteções, é ameaçado de explosão, de dissolução, de separação, de desintegração. E é a retomada no que se nomeia “a vida corrente”, isto é, claramente “a vida petrificada” ”.


Maria Tendlau

Ô, Zé! É Performance!

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP


Observação ativa realizada pelo Coletivo Bruto dentro da Habitação Bruta / Projeto Zona de Risco - Derivas / Centro Cultural São Paulo.


Observações ativas são procedimentos de observação das dinâmicas do espaço com pequenas interferências a fim de observar a reação dos agentes participantes. O observador não está oculto e participa das dinâmicas observadas.

Atuadores: Maria Tendlau, Mariana Sucupira, Paulo Barcellos e Wilson Julião. Assistência: Cássio Santiago. Captação de imagens: Elisa Band e Hugo Perucci.

Ei! ENCONTROS DE IMPROVISAÇÃO / HABITAÇÃO BRUTA

Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP


Dia 06/10 - SEU PRÓPRIO: me-suportar-suportar-o-outro-suporta-o-espaço-dele-suporta-meu-espaço-viver-junto-viver-consigo.




18 atuadores precisam conviver juntos e cozinhar um alimento para todos. Cada um tem ou suas mãos amarradas, ou sua boca fechada, ou seu olhos vendados. No final, eles precisam comer esse alimento separados e em silêncio.

Dia 13/10 - Como ser egoísta em sociedade?





Atuadores precisam construir uma relação próxima com uma planta de sua afinidade. Dançar com ela, cheirá-la, sentir sua textura, dar nome e, por fim, contar um segredo íntimo a ela. Ao fim, eles precisam se desligar dela, deixar que ela "siga" sua vida.

20/10 - Deserção e Confinamento

Parte 1 - Participantes narram e desenham seus quartos de infância.
Parte 2 - Eleonora Fabião conduz experiência via Skype de Nova York.


Dia 27/10 - Deriva

Participantes se dividem em 3 núcleos de pesquisa de improvisação. Música, vídeo e cena.







O Coletivo Bruto agradece a todos os participantes dos Ei!s Habitação Bruta. Aos amigos, parceiros, desconhecidos, novos amigos e, principalmente, aos que decidiram passar por essas experiências.

NAS PROFUNDEZAS


Habitação Bruta
Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas/CCSP


Exercício realizado no porão do Centro Cultural São Paulo


EI! Encontros de Improvisação / Habitação Bruta / Zona de Risco

Para quem não puder comparecer, a improvisação será transmitida on line pelo



Durante o mês de outubro, todas as quartas feiras, o Coletivo Bruto propõe o Ei! Encontros de Improvisação nas variadas linguagens artísticas, podendo reunir ferramentas de vídeo, dança, teatro e artes visuais. A partir de temas provocação conduziremos um jogo aberto com participação de convidados com atuação em diferentes linguagens e público presente.
Os encontros são abertos à participação do público.

Dia 06/10 (quarta-feira) das 18:00 às 20:00

Tema provocação
SEU PRÓPRIO: me-suportar-suportar-o-outro-suportar-o-espaço-dele-suportar –meu- espaço-viver- junto –viver- consigo.

Centro Cultural São Paulo - Sala Adoniran Barbosa


O QUE MAIS LHE CHAMOU ATENÇÃO NO COQUETEL/PROGRAMA?



ATENÇÃO: Você que participou do COQUETEL/PROGRAMA no Centro Cultural São Paulo, coordenado pelo Coletivo Bruto, é convidado a responder a questão acima.





Utilizem o espaço para comentários localizado abaixo.



HABITAÇÃO BRUTA NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO


Depois de apresentar Guerra Cega Simplex por quatro capitais brasileiras (Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza e Belo Horizonte), onde pudemos trocar experiências com outros grupos e desdobrar nossa próxima pesquisa e de participar do FIT - Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, o Coletivo Bruto inicia, a convite do Centro Cultural São Paulo, sua nova ocupação como parte do Projeto Zona de Risco 2010 - Derivas. A Habitação Bruta, pesquisa de três meses no Espaço Cênico Ademar Guerra se estende a todo o Centro Cultural num processo que se constitui e se desenvolve a partir de uma série de atividades-programa que envolvem o espaço do CCSP e as relações humanas que nele se estabelecem.



Durante o mês de setembro, estaremos em desenvolvimento de propostas criadas a partir de observações/relações em todos os espaços do CCCSP.



No mês de outubro, além de experiências cênicas e programas performáticos, conduziremos o Ei! Encontros de Improvisação, aberto à participação do público.



Dia 06/10 – SEU PRÓPRIO: me-suportar-suportar-o-outro-suportar-o-espaço-dele-suportar –meu- espaço-viver- junto –viver- consigo.
Dia 13/10 – Como ser egoísta em sociedade?
Dia 20/10 – Deserção e Confinamento
Dia 27/10- Deriva
Entrada Franca

HABITAÇÃO BRUTA/ZONA DE RISCO -DERIVA



O Coletivo Bruto habita o Centro Cultural São Paulo nos meses de setembro, outubro e novembro de 2010. Essa Habitação Bruta parte da sala Ademar Guerra (esconderijo, aparelho, célula, sala de estar, residência) para os outros espaços do Centro Cultural (biblioteca, passagens, áreas de convivência, áreas técnicas, discoteca, área expositiva etc.) a fim de criar um fluxo/diálogo poético.

Durante este período, ocorrerão ações de observação das dinâmicas do espaço, com seus freqüentadores, acervos e funcionários. Serão criados programas performativos e intervenções que reajam a estas dinâmicas e criem uma dramaturgia, refletindo a relação porão/CCSP – CCSP/cidade de São Paulo. O Centro Cultural São Paulo pode ser entendido como metáfora da cidade?

As ferramentas teóricas usadas para as ações de observação crítica e criação são a idéia de deriva - percepção-concepção do espaço urbano como espaço a reconhecer pela experiência direta - e os princípios do programa- ações performativas calculadas que des-programam organismo e meio. As linguagens artísticas utilizadas nesta criação serão resultantes das necessidades formais do material, podendo aliar filosofia, dança, vídeo, teatro e artes visuais.


HIPÓTESES

O Centro Cultural São Paulo é uma metáfora da cidade
O egoísmo é necessário a sobrevivência
A suspensão pode ser uma ação crítica as situações de bloqueio dos fluxos
espaço/temporais, do regime violento e invisível da velocidade tecnológica e do controle.

POR

COLETIVO BRUTO

O Coletivo Bruto é um coletivo de artistas que se dedica à criação de matérias poéticas em diálogo com demandas contemporâneas, utilizando certa perversidade de imagens e discursos. A revelação das esteriotipias e dos fetiches nas aglomerações urbanas, os entraves da representação, assim como a perseguição de um entendimento mais amplo das dinâmicas que sustentam a vida coletiva e a sobrevivência, têm sido matérias bastante caras às nossas pesquisas.

Brutos: Luiz Henrique Lopes, Maria Tendlau, Mariana Sucupira, Paulo Barcellos, Wilson Julião

Provocação Dramatúrgica: Cássio Santiago e Elisa Band

Coordenação de Produção: Wilson Julião

Produção Executiva: Palipalan Arte e Cultura

Coordenação Técnica: Paulo Barcellos

Blogger: Hugo Perucci

Realização: Coletivo Bruto e Cooperativa Paulista de Teatro.
Guerra Cega Simplex, Feche os Olhos e Voe ou Guerra Malvada

Primeiro trabalho do Coletivo Bruto, produzido através do Edital PROAC/ 2007 da Secretaria de Estado da Cultura e indicada a três prêmios da Cooperativa Paulista de Teatro: melhor direção (Maria Tendlau), melhor ocupação não convencional e grupo revelação.



A peça estreiou no ano de 2008 em temporada pelo interior do estado de São Paulo e capital. Em 2009 a peça volta em cartaz no TUSP, dentro do projeto de residência GUERRA TOTAL OU A PERDER DE VISTA. Em 2010, o Coletivo Bruto recebeu o Prêmio Myriam Muniz, realizando a circulação de Guerra Cega no Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo. Ainda em 2010, a peça foi apresentada no FIT-Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.





Sinopse

Num emaranhado de narrativas somos engolfados pela metáfora de cegueira e da guerra. Feche os olhos e voe, propõe o autor. Assim a cegueira se divide entre a inviabilidade do conhecimento, imposto pela lógica de mercado, e a possibilidade de uma fantasia libertária nas novas representações sensíveis.
Usando como base a fábula alemã ‘Simplicissimus Simples, O Aventuroso’ de Hans Jakob Christoffel von Grimmelshausen, narrativa sobre a guerra dos trinta anos contada pela perspectiva de um soldado ordinário, Fritz Kater*, estabelece uma poética ácida repleta de referências que nos induzem a questionar o estado de guerra como um estado de equilíbrio para a ordem mundial.



Ficha Técnica:

Dramaturgia: Fritz Kater (Armin Petras) e Pernille Sonne
Tradução: Christine Röhrig
Direção artística: Maria Tendlau
Elenco: Luiz Henrique Lopes, Mariana Sucupira, Paulo Barcellos, Raissa Gregori e Wilson Julião
Cenário e figurinos: Cris Cortilio
Vídeo arte: Pedro Palhares
Sonoplastia: Coletivo Bruto
Produção Executiva: Coletivo Bruto
Projeto de Luz: Paulo Barcellos
Fotos: Grãoimagem
Foto cartaz: gUi Mohallem
Programação visual: Pedro Penafiel
Operação de Luz: Nilson Castor
Operação de Som: Marcos Cruz
Música Original “Now Please Pay”: Alexandre Dal Farra